... e não fomos juntas à praia!! quebrou-se um ritual... mas só isso.
pelo meu lado há um ano atrás não diria que no dia 15 estava a jardinar com pais e sogros todos unidos num animado convívio familiar...
o teu dia imagino que deva ter sido mais animado. praia, nervoso da viagem...
é certo que a pergunta era mais vasta do que saber só onde estaríamos no dia 15. sei que na verdade o que queríamos saber era que voltas as nossas vidas dariam num ano, que caminhos teríamos percorrido e onde teríamos chegado...
chegamos aqui. não sei se é bom, não sei se é aquilo que queria(mos)/sonhei(amos), mas é isto...
não deixa de ser curioso: há um ano o meu drama era uma mudança que não queria (pelo menos para já) e que me assustava, era estar a ser levada para um caminho que eu não procurara, era ter de quebrar coisas que ainda me prendiam a outros tempos, era perder a liberdade da minha solidão, era ter de abdicar das janelas que fui deixando abertas... era esse medo de deixar de ser eu! e não deixei, dentro de mim as coisas não mudaram...
é verdade que às vezes olho para trás e continuo a pensar se não teria sido melhor ter seguido outro caminho, ter optado por outra via. como seria se tivesse recusado esta mudança de vida? se tivesse permanecido no meu ninho? há dias que sinto a serenidade das decisões tomadas, da estabilidade, da segurança de saber com o que contar... mas há outros em que o meu coração quer mais, precisa de mais e sente a apagar-se...
hoje o meu drama passa por esta incapacidade de sair do mesmo sitio... dou por mim às vezes sozinha a pensar: há quanto tempo já não sonho, já não projecto nada, não olho para o futuro e me vejo aqui e além?? sinto-me presa sem amarras. sei que ninguém me prende, mas vivo um dia de cada vez sem me projectar no futuro, sempre à espera que algo de novo aconteça... mas os dias, as semanas, os meses passam e eu sinto-me ancorada ao mesmo cais, sinto-me segura ali e essa segurança faz-me ter medo de partir... ter medo de sonhar. talvez esse seja o mais mortal de todos os medos, o que nos paralisa a alma, o que nos faz já não ter esperança. sinto medo de já não ser capaz de sonhar... hoje não sou. algures no passado deixei de sonhar e hoje não sou capaz de olhar para mim no futuro... vou deixando a minha vida para amanhã mas o amanhã nunca chega... é uma corrida perdida. esta perspectiva de mim faz-me sofrer. e sofro sobretudo por saber que eu podia ir mais além. e sofro por saber que ninguém tem culpa desta minha incapacidade de me mexer... às vezes quero parar para pensar... desculpas. pois não tenho eu andado parada? não tenho eu tido tempo para pensar? tempo para sonhar? o que me impede de traçar um objectivo? de querer atingir uma meta? nada... tudo depende de mim e isso assusta!
boa viagem ;)
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