sexta-feira, 14 de outubro de 2011

maus dias têm mil horas...

Ai pica...
às vezes parece que a vida pretende por-nos à prova e testar a nossa capacidade de acreditar nos outros....
acho que chegou o momento da minha vida em que algumas pessoas se revelam no seu pior. tou triste. mesmo profundamente triste. e desiludida. e era tão mais fácil se fosse só com uma pessoa. ou só com a família. mas não...
sei que tenho muitos defeitos. sei que nem sempre dou a atenção que os meus amigos ou a minha família precisam. sei que tenho, muitas vezes e por muito tempo, necessidade de me isolar e de me reorganizar. sei que às vezes parece que me desinteresso. enfim, só no campo dos relacionamentos tenho uma longa lista de defeitos...
mas não sou desonesta. não sou interesseira. não quero o que os outros têm. e tenho a capacidade de me alegrar e ficar verdadeiramente feliz com as coisas boas que acontecem às pessoas de quem gosto.
e se há coisa que eu quero muito é que por mais chapadas que a vida me dê, eu mantenha estas caracteristicas: não ser interesseira e alegrar-me com as coisas boas dos outros.
deve ser horrível ser invejoso. e viver constantemente a achar que os outros é que estão bem. e querer sempre mais e mais.

hoje estou profundamente triste, mas amanhã sei que vou sentir pena.

nem sei bem como dizer, ou como explicar, mas queria que me entendesses... a verdade é que tudo se passa à volta daquilo que as pessoas percepcionam que é a vida dos outros. eu tenho tendência para amenizar as coisas. tentar não deitar cá para fora a infelicidade que vai cá dentro, as preocupações, as desilusões.
a minha vida não foi sempre um mar de rosas, não é um mar de rosas, mas não gosto que se perceba que não é. tenho medos antigos. tenho incertezas. tou desempregada. tenho traumas. tenho sonhos que não cumpri. mas...
não gosto que se perceba isso.
prefiro que tudo pareça fácil. prefiro guardar comigo as minhas coisas (mais um defeito). não consigo falar muito profundamente sobre mim. acho que os psicólogos chamam a isto bloqueio :).
por via disto, sei que as pessoas tendem a achar que a minha vida é boa. e é. mas não é assim tão boa. é como todas. tem dias. tem fases.

enfim, quando te contar de viva voz o que aconteceu nem vais acreditar... mas é muito mau e eu perdi duas coisas muito importantes: a confiança e a capacidade de perdoar mais esta).

ficam as lições:
lição n.º 1: não partilhar demais a nossa vida;
lição n.º 2: não confiar demais.

vendo bem, não vale a pena estar aqui a dissertar mais sobre estas coisas. estou triste, já chorei, mas vou sobreviver.

da minha família já partilhei contigo. no essencial mantém-se quase tudo na mesma. vendo bem, perante o terramoto que é sentir que a nossa família já não é um pilar, estas coisas dos "amigos" não têm grande importância. ou então causam mais danos porque a estrutura já está debilitada.
falei há pouco com a minha mãe. e é uma lição tão grande ver o amor dela pelo pai. a forma como se dedica ao que resta da vida dele. o carinho. o orgulho que sente pelas pequenas coisas que ele é capaz de fazer. a minha mãe é uma pessoa profundamente boa. tenho medo (sempre tive) de não estar à altura!
(obrigada por chorares comigo, mesmo!!! sou um pouco cobarde para te ligar e dizer que me apetecia dar-te um abraço e agradecer muito por me perceberes. não liguei. mas fica o abraço.).

see you.

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